Confiança na Santíssima Virgem Maria

Autora: Ir. Rosario Cano, MSCGpe (Tradução: José Eduardo Câmara de Barros Carneiro, Brasil)

INTRODUÇÃO

Maria, “depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira. Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo.” (L.G. 62)
A confiança na intercessão da Virgem Maria, em nossa vida cotidiana e em favor da Igreja universal, vem precisamente da mesma confiança em Deus que ela experimentou ao ser escolhida e chamada para ser Mãe do Redentor, assim ela, em sua experiência de confiança e de fé na eleição divina sobre sua pessoa para o bem da humanidade, nos dá o modelo para sermos por sua vez, como ela, confiantes na amorosa providência de Deus em nossas vidas, e se constitui como guia, modelo e mestra da confiança em Deus.
Daí a importância de conhecer e aprofundar mais nossa experiência de fé e de confiança em Deus, pela mediação de Maria, que agora já assunta ao Céu, juntamente com seu Filho Jesus Cristo segue intercedendo para cada um de seus filhos neste caminhar temporal até a casa do Pai.
Deste modo, pode-se dizer que é um traço característico da vida dos cristãos e dos santos, serem filiais devotos da Mãe de Cristo, já que a devoção a ela nos assegura o caminho ao Filho, e, portanto ao Reino Celestial. Assim, iremos refletindo na vida da Serva de Deus Maria Amada do Menino Jesus, algumas de suas experiências de confiança na Virgem Maria, como um modelo a seguir para todos os fiéis cristãos que querem crescer na confiança em Deus pelas mãos de Maria.

Experiência pessoal da S. D. Maria Amada

Referindo-se a estadia na casa de seu avô materno, narra algumas impressões que teve ao ver a imagem da Virgem de Zapopan, diz: “Parece-me que neste lugar cumpri os seis anos e por este tempo recordo ter conhecido e amado a Santíssima Virgem. Meu avô era devotíssimo da Santíssima Virgem de Zapopan. Tinha uma, igual à original. em um grande nicho. Minha pobre pessoa passava longos momentos diante daquela imagem. Contemplava-a atentamente; sua face, suas mãos, cabelos, etc. Parecia-me linda! Mas porque a mantinham fechada? Estava viva? De onde tinha vindo? A umas coisas me respondiam, a outras mantinham silêncio. Disseram-me que a ela se levava flores; isto foi para mim todo um mandato e quantas flores recolhia eram para ela”. (C.C., p. 6-7)
Seu pai foi alguém que marcou sua vida com seus conselhos e sua proximidade, os quais ela tomava como mandado a obedecer, convencida da verdade das palavras e conselhos que ele lhe dava. “Muito nos falou papai, também da Santíssima Virgem e da maneira de imitá-la. Em especial, papai me disse que nunca se enfeitava, que ela não era vaidosa etc., que as mulheres que gostavam disso, não imitavam a Santíssima Virgem, parece que tudo isto se gravou na minha alma como fogo. Senti grande ódio pelos adornos e demais enfeites que as jovens usam. Me sentia feliz e no ápice da felicidade com um só vestido. Os arcos, brincos, anéis, me queimavam e ao trazer-lhes, me atormentavam.” (C.C., p. 15)
Estando já no convento, ao viver a experiência da presença do Maligno, ela consolidou mais sua confiança pelas mãos de Maria para vencer o inimigo: “Ao princípio, estas coisas me impressionavam; mas, bem pronto, o Senhor, que não me deixava só, me fazia dormir e o demônio ficava em sua fadiga. Só uma vez, momentos depois do toque das cinco da manhã, notei passos na habitação, não fiz caso, acreditei ser imaginação; logo estes foram ficando muito acentuados (a irmã que dormia no mesmo quarto, assustada perguntou quem andava, então acreditei) e com um ruído particular, parecia que com grandes unhas, arranhava o piso ao andar. Ao sentir que se aproximava de mim cada vez, minha coragem acabava; invoquei a Jesus e a Maria Santíssima, acendi em um momento a luz; a demônio havia desaparecido ou como se diga”. (C.C., p. 157-158)
Enquanto à sua vida espiritual, ela mesma experimenta o caminho de confiança no Coração de Jesus e na Santíssima Virgem, pela qual o Espírito a foi levando: “Sou feliz por ignorar meu caminho; jamais me preocupei por saber por aonde vou e como sou levada por Nosso Senhor e por aqueles que ocupam seu lugar. Entretanto, não posso negar que o Senhor me concedeu luzes sobre meu caminhozinho e, em certas ocasiões, me instruiu sobre este particular; o que se pode reduzir ao seguinte: este caminhozinho é o da infância espiritual (esse fazer-se criança por virtude; essa pequenez de espírito que tanto ama e consola seu Coração Divino), nos braços do bom Jesus e da Santíssima Virgem, com uma confiança absoluta e um abandono total; entrega à justiça e misericórdia de seu Coração, amor na imolação e no aniquilamento, para honrar sua vida Eucarística”. (C.C., p. 138)
Sua confiança na intercessão da Mãe de Deus foi crescendo em meio as provas que experimentou, também em relação à Obra que o Coração de Jesus lhe pediu: “Minha alma padecia espantosas penas interiores, obscuridades, dúvidas, temores. No mesmo dia 19, a Santíssima Virgem de Guadalupe me as tirou e infundiu em minha alma uma íntima confiança e segurança que esta Obra seguirá adiante, protegida por seu divino Filho e por Ela, como se cumpriu ao pé da letra”. (D.E., Pág. 31)

A Serva de Deus nos convida a viver esta confiança

Aquelas recomendações ou conselhos que dava nossa querida Fundadora à suas filhas, através de suas cartas, bem podemos hoje fazê-las nossas, para crescer como ela o fez, na confiança filial em nossa Mãe do Céu:

“Jamais desconfies que teu papai te dará a permissão. Acuda ao céu, o Senhor que te escolheu, veja que ele tudo pode; a Virgem Santíssima o mesmo. Fazei uma promessa a Nossa Senhora do Sagrado Coração e reza todos os dias o Lembrai-vos e a Coroinha.
Em teus sofrimentos não estás sozinha, olha que muito perto de ti palpita o coração de tão boa mãe, que tanto deseja que consigas o que desejas; o coração de tua irmã que tanto se interessa por ti e o coração de tuas mestras que também tanto se interessam por tua alma”. (C.E., 26 de Fevereiro de 1948)

“Sem dúvida minhas pobres oração não chegam ao céu por Vossa intenção, pois pelo que vejo, vos encontrais na mesma situação, o que não me desanima, senão pelo contrário, lhe ofereço de todo coração seguir pedindo ao Coração de Jesus e a Santíssima Virgem pelo remédio da necessidade que Vós e eu sabemos” (C.E., 21 de Abril de 1948)

“Me dá muito gosto que tenhas feito com os anciãos toda a cerimônia da festa da Assunção da Santíssima Virgem; que este seja sua grandíssima preocupação: fomentar neles um grande espírito cristão e dispor-lhes e preparar-lhes para a morte; não poupe nenhum sacrifício, nem coisa alguma, para acerca ao Coração Amantíssimo de Jesus a essas almas, ao menos no fim de sua vida. ” (C.E., 20 de Agosto de 1949)

“Estejais seguríssima que no Coração de Jesus nos encontramos sempre, nesse Coração não há ausências, nem distâncias e bem compreendo que para vós deve ser bastante duro que, apenas abrindo os olhos à vida religiosa, tivestes que ir, por ordem da santa obediência, a essa imensa distância, onde está; é natural, que muitas vezes se sinta tão sozinha e tão sem aptidões para desempenhar tudo o que a obediência lhe confiou. O Coração de Jesus não a abandonará, nem a Santíssima Virgem. Sejais humilde, reconheçais seu nada, confiais imensamente no Coração divino e em sua Mãe Santíssima e sempre lhe irá bem, Eles farão o que vós não sabeis, lhe darão luz, a sustentarão, serão seu consolo e por este meio dareis muita glória ao Coração de Jesus”. (C.E., 11 de Setembro de 1949)

“Sinto verdadeira pena que tenha lhe dado o ataque no trem e ademais grandíssimo consolo, porque sem dúvida sua cura completa se reservava à Santíssima Virgem de Fátima; vamos pedi-la com grande confiança e publicaremos o milagre, pois ela sabe muito bem a grande necessidade que temos de ter saúde para trabalhar pela glória de seu divino Filho”.
(C.E., 28 de Setembro de 1949)

“Nessas horas de luta e tentação, volteis, confiante e segura, seus olhos para a Virgem Santíssima e estejais segura que não a abandonará. Tenhais presente e creiais que Eles querem-na santa e não a abandonarão na luta e combate, estarão convosco, mas vós de sua parte, sejais fiel e generosa em não negar-lhes nada”. (C.E., 3 de Outubro de 1949)

“Minha boa filhinha, se se sente nas trevas, no escuro e sem luz; bom, muito bom que se volte à Santíssima Virgem, dê-lhe sua mão e dela jamais solte. Não está órfã, tem, é certo, um Pai amoroso e uma Mãe como nenhuma. ” (C.E., 17 de 1936)

“A ciência do amor lhe ensinará Aquele é Amor. Seja humilde e pequena e aprenderá essa ciência divina. Aproveite também esses consolos para caminhar mais e mais rápido no caminho da perfeição e junte forças para os dias de luta, secura e combate.
Em suas tentações: grande desconfiança de vós mesma, suma confiança em Deus. Tranque-se bem por dentro, com a oração, mortificação e humildade e acrescente o não fazer caso e siga, siga lutando por amor, unida ao Amor, jamais só. Não deixes jamais tampouco a Santíssima Virgem e a seu bom Anjo”. (C.E., 12 de Janeiro de 1937)

“Deixe-se com absoluta confiança em Deus, nas mãos deste Bom Pai e da Santíssima Virgem e de sua pobre Congregação, sem preocupar-se de outra coisa que fazer a Divina Vontade e de amar sem medida o Divino Coração.” (C.E., 14 de Outubro de 1945)

“Trabalheis sempre com desconfiança de si mesma, porém coloque toda sua confiança em Deus e na Santíssima Virgem”. (C.E., 30 de Outubro de 1945)

“Sintais quão bom e doce é o Senhor que vendo a debilidade de seus pequenos filhos, lhes prepara muitas vezes com doçuras, o cálice de amargura que muitas vezes lhe vai fazer provar. Depois dos dias de paz interior, lhes envia dias de tribulação.
Ternuras do Senhor, para preparar a sua alma, para viver mais unida à ele. Sofra com paciência, desconfiando de si mesma, ponha sua confiança no Senhor, abandonando-se a sua misericórdia e ao seu amor, se entregue nas mãos da Santíssima Virgem, para que ela a leve ao Coração de Jesus, e espere pacientemente a divina vontade, a seu tempo dará a sua alma a luz e o consolo.” (C.E., 16 de Fevereiro de 1946)

“Viva de confiança e de amor, de abandono e sacrifício, o Coração de Jesus fará em sua alma grandes coisas; mas não sozinha, sempre unida à Virgem Santíssima nossa Mãe.” (C.E., lº. de Março de 1946)

REFLEXÃO

Depois de ter lido e refletido nos textos anteriores, comentemos a seguintes perguntas:
1. A Santíssima Virgem Maria em que momentos de sua vida experimentou uma profunda confiança em Deus? Como a expressou?
2. Como cresceu e como consolidou na Serva de Deus Maria Amada, a confiança na Santíssima Virgem?
3. Como experimentastes que cresceu tua confiança em Deus por mediação da Santíssima Virgem? Podes partilhar algum fato de tua vida no qual experimentou de maneira especial a ajuda de nossa Mãe?
4. Como vivemos a confiança na Santíssima Virgem Maria nos acontecimentos de hoje, em nossa família, grupo paroquial ou comunidade?

Atividades de conclusão:
*Realizar de maneira pessoal, familiar ou comunitariamente, um mapa mental ou um desenho em que expressemos como temos experimentado a confiança em Deus por mediação de Maria.
*Propomos realizar três ação para fomentar a confiança em nossa Mãe:
1. Ao nível pessoa:
2. Ao nível familiar:
3. Ao nível apostólico:

Fonte: Escritos da Serva de Deus Maria Amada
Autora: Ir. Rosario Cano, MSCGpe

Oração para sua Canonização

Pai Celestial, que te comprazes em adornar teus santos e eleitos com as virtudes de teu Divino Filho, e quiseste abrasar no fogo do amor de seu Coração e no zelo ardente para estender seu Reinado tua Filha Maria Amada e o manifestastes em seu amor para com os pobres e os desamparados; pedimos-te a graça de imitar seu exemplo e que para tua maior glória e o bem da Igreja seja elevada a honra dos altares. Pedimos-te por Santa Maria de Guadalupe e os méritos de Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração para sua Intercessão

Pai misericordioso, que escolhestes a tua filha Maria Amada, para que abrasada no amor de Jesus Cristo, teu Filho, e cheia de zelo pela extensão do Reino de amor de seu Coração, se preocupasse toda a sua vida pelos que sofrem, em especial pelos mais pobres e desamparados; pedimos-te que por sua intercessão, nos concedas a graça que com fé solicitamos ... (faz-se o pedido). Agradecemos todos os dons que lhe concedeste e aqueles que por meio dela nos queira conceder. Escutai piedosamente nossas súplicas e fazei-nos conhecer tua vontade, por Santa Maria de Guadalupe e os méritos de Cristo Nosso Senhor. Amém. Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Ti!